Um suicídio por enforcamento foi registrado na noite deste
domingo (30) na cidade de Casa Nova /BA. O corpo da vítima foi encontrado por um
familiar na Quadra A, Bairro Vila Massú, por um familiar que ainda o encontrou
com vida, cortou a corda na tentativa de salvá-lo, mas a vítima não resistiu e
veio a óbito.

A
vítima identificada por
Luciano
Alves Gomes utilizou uma corda, amarrou-a em um
caibro e praticou suicídio por enforcamento em um quarto, na residência do
irmão.

A Polícia isolou a área e solicitou o IML para os procedimentos de praxe. 


FENÔMENO  GLOBAL SUICÍDIO

“O
fenômeno global do suicídio. Embora a população mais velha seja mais propensa a
isso, os mais jovens não estão imunes. Por serem menos sujeitos a enfermidades
comuns na velhice, o suicídio acaba se tornando uma das principais causas de
morte nas décadas iniciais de vida”. 

Considerado uma questão de saúde pública,
o suicídio não é incluído em debates sobre violência, mas sua ocorrência cresce
como causa de morte no Brasil: entre 2000 e 2016, as taxas de suicídio
aumentaram 73%, passando de 6.780 para 11.736, segundo dados do Ministério da
Saúde.

O fenômeno não é novo. Desde meados do
século 20, quando cada vez mais países começaram a compilar dados sobre o
suicídio, os números vêm crescendo de forma gradual e contínua. Entre 1950 e
1995, a taxa mundial de suicídios por 100 mil habitantes cresceu 33% entre as
mulheres e 49% entre os homens, segundo um levantamento publicado no periódico sueco Suicidologi. Nas últimas duas décadas desde então, o número de
pessoas que tiram a própria vida continuou a aumentar na maior parte do mundo.
Segundo os especialistas, é difícil
identificar uma única causa para o crescimento que, embora gradual, sempre se
manteve constante: dificuldades econômicas, exposição a substâncias tóxicas ou
até mesmo um melhor controle das autoridades, oferecendo estatísticas mais
precisas onde antes casos de suicídio eram desconsiderados, são alguns dos
fatores normalmente apontados.
Mas novos estudos vêm sugerindo
associação com uma miríade de aspectos que antes eram apenas especulações:
desde a exposição a neurotoxinas que favorecem o desenvolvimento de quadros depressivos
e as chamadas ideações suicidas até questões pouco percebidas nas gerações
passadas, causadas pelo aumento na expectativa de vida da população – em geral,
o número de mortes autoinfligidas é muito maior na população mais velha do que
nas outras faixas etárias.

Fenômeno Global

Nos Estados Unidos, segundo o Centro de
Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), o suicídio é a
décima maior causa de mortes todos os anos: estima-se que ao menos 47 mil
pessoas tenham tirado suas próprias vidas no país em 2017, ano com os dados mais
recentes divulgados. E,
embora a população mais velha seja mais propensa a isso, os mais jovens não
estão imunes – ao contrário: por serem menos sujeitos a enfermidades comuns na
velhice, como problemas cardíacos ou neurológicos, o suicídio acaba se tornando
uma das principais causas de morte nas décadas iniciais de vida.
O CDC reporta que, dos 10 aos 34 anos de
idade, essa é
a segunda forma mais comum de
perder a vida nos EUA, atrás apenas das chamadas “lesões não intencionais”, que
incluem acidentes de trânsito, quedas e envenenamentos acidentais, entre
outros.
No Brasil, segundo os dados mais recentes
do Ministério da Saúde,
relativos a 2016, mais de 11 mil pessoas tiram a própria vida anualmente – um
número que, segundo estimativas conservadoras, na realidade tende a ser até 20%
maior, em função de mortes erroneamente identificadas como acidentais. O
índice inferior ao dos Estados Unidos costuma ser atribuído à menor prevalência
de armas de fogo de uso pessoal entre os brasileiros, que costumam utilizar
meios considerados menos letais, que têm uma maior possibilidade de
sobrevivência e recuperação.

Semelhanças e diferenças

A diferença na letalidade também ajuda a
compreender uma tendência que se repete na maioria dos países, inclusive no
Brasil: em geral, homens tentam tirar a própria vida de maneiras mais
violentas, o que diminui drasticamente a chance de serem encontrados a tempo –
e salvos – por um parente, amigo ou conhecido.
De acordo com o Ministério da Saúde, a
taxa de mortalidade por suicídio é de 2,4 mulheres a cada 100 mil, saltando
para 9,2 homens a cada 100 mil. Quando comparados aos níveis de 1980, é possível constatar que o
suicídio feminino no Brasil teve um aumento de 20% nas últimas quatro décadas,
enquanto no caso dos homens o crescimento foi ainda mais massivo – um aumento
de 100%, com a taxa dobrando em quarenta anos.
Um dos aspectos que chama a atenção dos
especialistas é a dificuldade de realizar um acompanhamento prévio de uma
pessoa com ideação suicida. Nos Estados Unidos, mais de metade (54%) dos
suicídios registrados em 2016 tiveram como vítimas pessoas que não tinham um
diagnóstico conhecido de transtornos mentais que pudessem levar a esse desfecho
sombrio.
Isso não quer dizer que essas pessoas não
tivessem algum problema do tipo, mas que, em grande parte dos casos, falta
acesso a apoio psiquiátrico e acompanhamento precoce. “O suicídio é um fenômeno
de causas múltiplas. Fatores biológicos, psicológicos ou sociais não conseguem
explicar o suicídio de forma isolada”, diz Thomas Niederkrotenthaler,
pesquisador do Center for Public Health da Universidade de Viena, na Áustria.
“Embora fatores sociais sejam
importantes, o suicídio se relaciona intimamente com outros fatores como
depressão e problemas de saúde mental. Sabemos que cerca de 90% das pessoas que
morrem de suicídio têm uma doença mental, e doenças mentais são tratáveis”,
completa.

Sinais e alertas

Ainda sem uma confirmação médica, no
entanto, é possível que as pessoas ao redor procurem ficar atentas a
determinados sinais comumente associados ao suicídio, tanto para pessoas com
transtornos conhecidos ou não.
Um
estudo do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês) dos EUA, envolvendo
estatísticas de 27 estados diferentes, constatou que alguns dos fatores mais
frequentes na vida de suicidas incluem problemas de relacionamento (em 42% dos
casos), algum tipo de crise vivenciada ou prevista para as semanas anteriores
ou posteriores ao fato (29%), abuso de álcool, drogas ou outras substâncias
químicas (28%), problemas físicos (22%) ou financeiros (16%). As porcentagens
somam mais de 100% porque, com frequência, mais de um fator está presente.
“Tipicamente, há uma combinação de fatores individuais, de relacionamento,
comunidade e sociedade”, resume Deborah Stone, cientista do comportamento no
CDC, na revista Contemporary Pediatrics.

Adolescentes vs. Adultos

Para o psiquiatra Jader Piccin, do Programa de Depressão
na Infância e na Adolescência, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do
Sul), na adolescência há uma característica que difere a depressão em adultos.
“O
adolescente se irrita frequentemente e por motivos pequenos, o que provoca
dificuldade nos relacionamentos. A depressão tem em torno de nove critérios
diagnósticos, mas outra característica mais específica dela durante a
adolescência é a diminuição do desempenho escolar, motivada pela falta de concentração
nos estudos. Além de fadiga, diminuição ou aumento do apetite, um certo retardo
motor na fala, agitação e, mais grave, o desejo de morte, a tendência suicida”,
diz.
Entre os jovens, estudos vêm encontrando
uma associação entre o isolamento causado pelas novas tecnologias e um aumento
no suicídio.
Uma pesquisa realizada
por psicólogos da San Diego State University e da Florida State University e
publicada no final de 2017 detectou que jovens de 13 a 18 anos que passam mais
tempo utilizando redes sociais e smartphones tinham maior tendência a
apresentar um transtorno de saúde mental que poderia levar a ideação suicida.
Não há, no entanto, comprovação definitiva de uma relação de causa e efeito
entre o tempo dedicado às tecnologias e o risco aumentado – é possível,
inclusive, que a relação se dê no sentido inverso, com jovens já propensos a
esses transtornos acabando por se isolar socialmente e se refugiar nas redes.
“Existem estressores sociais que são
relativamente novos, como a exposição constante a ferramentas e mídia online, e
alguns deles foram relacionados a situações adversas de saúde, incluindo
depressão”, diz Niederkrotenthaler. “Mas é importante ter em mente que, se
essas novas ferramentas trazem riscos, elas também trazem oportunidades. Uma
pessoa em situação difícil e potencialmente suicida pode usar a facilidade de
acesso a informações online para buscar ajuda. Nós temos percebido que a maior
proporção – de longe – das conversas online sobre suicídio é construtiva e
vista como algo útil para essas pessoas”, argumenta.
Jader completa: “Ao contrário do
senso comum, o simples ato de questionar se o adolescente tem pensamentos sobre
‘morte’ não irá induzir o sofrimento, mas pode, sim, aliviá-lo. E o principal
sinal de alerta é quando a resposta para isso é ‘sim’. A partir daí poderemos
oferecer alguma abordagem e estratégia de prevenção.”

Pressão cotidiana

Por outro lado, problemas econômicos
aparecem como potencializadores de ideação suicida e afetam também os adultos.
Em 2013, pesquisadores das Universidades de Oxford e de Bristol, na Inglaterra,
e da Universidade de Hong Kong, compararam estatísticas de 54 países para
investigar os efeitos da crise mundial iniciada cinco anos mais cedo: no
estudo, publicado pelo prestigioso periódico BMJ (antigo British Medical Journal),
eles reportaram um aumento de até 7,5% na taxa média de suicídios, quando
comparados os números de 2009, ao que seria previsto considerando a tendência
histórica anterior à crise econômica. Os principais aumentos, como seria de se
imaginar, foram registrados nos países que mais sofreram com o desemprego.
Mais recentemente, um estudo da
Universidade de Oxford
publicado pelo Journal of the Royal Society of Medicina associou as medidas de austeridade adotadas pelo
governo britânico após a crise a um excesso de até 30 mil mortes apenas em 2015
– elas teriam sido causadas pela redução na cobertura da saúde pública para
diferentes problemas, inclusive os de saúde mental, que levaram a muitos
suicídios acima da taxa histórica de crescimento.
Já em 2018, o Escritório do Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgou um
relatório de 24 páginas em
que também relacionava as políticas de austeridade ao aumento em casos do tipo.
Encarada como uma grave questão de saúde pública, a crise chegou a tal ponto
que, em outubro do ano passado, a premiê britânica Theresa May criou um
ministério de Saúde Mental, Desigualdade e Prevenção do Suicídio, hoje ocupado
pela economista conservadora Jackie Doyle-Price.
Os efeitos da economia sobre as ideações
suicidas se manifestam, inclusive, de maneiras que não parecem óbvias à
primeira vista. Investigadores da Universidade da Califórnia em Berkeley
compararam as taxas de suicídio com os registros climáticos da Índia (um país
com mais de 130 mil suicídios anuais) e chegaram a uma conclusão surpreendente, publicada em 2017: quando a
temperatura passa de 20 graus, o que é relativamente comum no país asiático, a
cada novo grau no termômetro há um acréscimo de 70 suicídios naquele dia, em
média.
A explicação, segundo eles, não estaria
associada diretamente ao calor, mas aos seus efeitos econômicos: temperaturas
muito elevadas prejudicam a agricultura, afetam a colheita e podem levar a um
ano de pobreza e falta de perspectivas – em muitos casos, isso acaba redundando
na eliminação da própria vida.
Mesmo que as crises econômicas possam
afetar em primeiro lugar os adultos, que têm uma noção mais clara das
dificuldades do momento, elas também se refletem nos mais jovens – seja
naqueles que estão às vésperas de entrar no mercado de trabalho e se deparam
com a perspectiva de um desemprego iminente ou mesmo crianças e adolescentes
que passam a conviver com pais mais estressados.
“Pesquisas relacionando os ciclos dos
negócios e os índices de suicídio nos Estados Unidos indicam que a taxa de
suicídio cresce e cai em conexão com a economia”, explica Deborah Stone, do
CDC. “Sabemos que os suicídios aumentam em tempos de desordem econômica, e o
stress financeiro vivido pelos pais pode respingar e resultar em jovens mais
vulneráveis”, continua.

Religião

Por outro lado, a religiosidade é um
fator de redução nas taxas de suicídio, principalmente na América Latina,
segundo estudo da Universidade de Michigan publicado no The Journal of Health and
Social Behavior. De acordo
com a pesquisa, em países com cultura religiosa cristã mais proeminente o alto
envolvimento de uma pessoa com a religião diminui os riscos de suicídio.
Isso acontece porque a rejeição moral do
suicídio e os níveis mais baixos de comportamentos agressivos determinados pela
religião afastam as pessoas mais religiosas da possibilidade de suicídio.
Segundo
estudo publicado no The American Journal of Psychology, a afiliação religiosa está relacionada a taxas
menores de tentativas de suicídio: entre os pacientes com quadros de depressão,
aqueles não afiliados a qualquer religião têm mais tentativas de suicídio ao
longo da vida e maior ocorrência de familiares de primeiro grau que cometeram
suicídio.
A pesquisa analisou 371 pacientes com
depressão, afiliados ou não a religiões. O perfil predominante entre os
indivíduos não afiliados era mais jovem, solteiro, sem ou com menos filhos e
que mantinham menos contato com os membros da família. Além disso, os indivíduos
sem afiliação religiosa relataram menos razões para viver e menos objeções
morais ao suicídio.
De qualquer forma, a afiliação religiosa
contribui para prevenir comportamentos de risco, como abuso de álcool e drogas,
e este pode ser um fator crucial para as menores taxas de suicídio, segundo
estudo publicado no
The British Journal of Psychology.

Realidade nacional

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda ficar atento a questões como um
aumento no número de vezes em que a pessoa se refere à própria morte, à falta
de esperança ou a uma intenção de dar fim à situação que está vivendo.
Um isolamento voluntário, com a redução
de contatos telefônicos ou virtuais, ou mesmo o simples ato de se trancar em
casa ou no quarto, também devem servir de alarmes para quem está ao redor –
especialmente quando a pessoa passa a abrir mão de atividades e eventos sociais
que gostava de fazer ou frequentar. Frases como “eu preferia estar morto”, “eu
não aguento mais” ou “eu sou um peso para os outros” devem ser encaradas como
alarmes de que é necessário atenção urgente.
Caso sejam reconhecidos sinais, algumas
perguntas específicas podem ajudar a entender as intenções da pessoa. Um questionário
desenvolvido pela médica Kelly Posner, diretora do Columbia Lighthouse Project, ajuda a mapear o risco de
suicídio de uma pessoa. As perguntas começam de forma simples: “Você já desejou
que estivesse morto ou que pudesse dormir e não acordar mais?”.
Caso responda sim, deve-se prosseguir
para perguntar se a pessoa já teve pensamentos sobre tirar a própria vida, se
pensou em métodos e detalhes, sobre a existência de intenção real de provocar a
própria morte e se, nos últimos três meses, chegou a se preparar para isso.
“Há alguns sinais de alerta que
justificam tentar abrir esse espaço, que deve ser feito sempre de maneira
respeitosa. Quando um familiar ou amigo passa a ficar mais isolado, postar
coisas negativas em redes sociais, aumentar o consumo de bebida alcoólica ou
dizer, por exemplo, que tem se sentido um ‘peso’, você pode perguntar a essa
pessoa se está tudo bem, se ela quer conversar ou se há algo que você possa
fazer para ajudá-la. Caso essa pessoa responda que não tem se sentido bem, você
pode perguntar: ‘Você tem pensado que a vida não vale a pena, ou em fazer algo
contra você mesmo(a)?’”, diz Alexandre Paim Diaz, psiquiatra e pesquisador do
Núcleo de Pesquisa em Neurologia Clínica e Experimental (NUPNEC) da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e vice-coordenador da Campanha
Setembro Amarelo ABP/CFM, programa de conscientização da população sobre saúde
mental e prevenção de suicídio.
“Costuma haver um receio de que essas
perguntas possam aumentar o risco. Na verdade, diante de uma abordagem
respeitosa e genuinamente preocupada, muitas pessoas com ideias de suicídio se
sentem aliviadas por poder dividir sua angústia”, explica.
A cartilha de recomendações do Ministério
da Saúde indica, a quem quer ajudar, a abertura ao diálogo e ao acompanhamento
da pessoa em um momento de crise. É importante conversar e, especialmente,
ouvir, sem julgar o que o outro tem a dizer – sempre incentivando que busque
ajuda profissional e recordando o telefone de linhas anônimas de apoio
emocional como o 188 do Centro de Valorização da Vida (CVV). Mesmo que a outra
pessoa tente se isolar, procure ao máximo manter o contato e demonstrar
interesse em sua vida e no que ela anda fazendo.
“A sociedade deve estar conscientizada em
relação a três aspectos fundamentais: Primeiro, que o transtorno psiquiátrico é
o principal fator de risco para o suicídio. Segundo, que temos disponíveis
vários tratamentos, seguros e efetivos, para esses transtornos psiquiátricos,
como psicoterapia, medicações e eletroconvulsoterapia. Terceiro, que o estigma
em relação às pessoas com transtornos psiquiátricos é a principal barreira para
que elas tenham acesso a esses tratamentos seguros e efetivos. Assim, cada
cidadão que combate o estigma está ajudando a prevenir o suicídio”, diz Paim
Diaz.

Um monstro no armário

Se é verdade que o tema do suicídio ainda
é pouco discutido no espaço público, a questão é que a forma sobre como fazer
essa discussão – na mídia e na cultura – também é determinante nos efeitos que
ela gera sobre a sociedade. Segundo Dan Raidenberg, co-presidente da
International Media and Suicide Task Force, “o contágio do suicídio a partir de
notícias em meios de comunicação é real.”
O chamado suicídio imitativo é
particularmente impulsionado pelo grau de detalhe utilizado nos textos ou nas
reconstituições em vídeo, que pode acabar incentivando novos casos. “O aumento
nos casos tem a ver com a frequência das notícias, sua colocação, imagens,
detalhes dos meios utilizados e a linguagem utilizada”, afirma Raidenberg.
Diversas pesquisas provam não ser
possível negar que a reprodução de modelos ou comportamentos suicidas expostos
na mídia é um problema real. “Existe evidência substancial de que algumas
pessoas expostas a modelos suicidas na mídia copiam esse comportamento”,
declara Steven Stack, professor
do departamento de psiquiatria e neurociência comportamental da Wayne State
University, nos Estados Unidos, que em um estudo compilando mais de 50 pesquisas diferentes sobre os
efeitos da mídia em produzir novos suicídios mapeou os tipos de representações
mais perigosas no sentido de impulsionar novas mortes.
Mas, se os estudos mostram que noticiar
ou representar irresponsavelmente o suicídio pode provocar imitações, isso não
quer dizer que deva haver um silêncio total sobre o tema – ao contrário,
reconhecer o problema, também na imprensa e nas artes, pode ter consequências
positivas. Quando o tema é abordado de forma responsável e apresenta o suicídio
sob uma luz negativa, estudos apontam uma redução em 99% dos casos quando
comparados às demais notícias e representações de violência autoinfligida. O
desafio, argumentam os especialistas, é fazer isso de forma sempre construtiva.
“Textos sobre pessoas que um dia estavam muito deprimidas, sofriam bullying, perderam seu emprego, passaram por divórcios, cirurgias, etc., e mesmo assim foram em frente, dominando seus demônios e encontrando a felicidade, dão mais esperança às audiências”, diz Stack. “Isso é conhecido como o ‘Efeito Papageno’, um nome que vem da última ópera de Mozart. Em A Flauta Mágica, o personagem central, Papageno, acredita que o amor da sua vida não o ama mais e tenta se matar várias vezes. No entanto, eles acabam juntos e ele supera”, descreve.


ONDE PROCURAR AJUDA
  • CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde)
  • UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais
  • CVV – Centro de Valorização da Vida
  • Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio
  • Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio – ABEPS