CAIRO, 12 Ago 2012 (AFP) -O presidente egípcio, Mohamed Mursi, surpreendeu neste domingo ao anunciar a anulação de uma “declaração constitucional” que concedia amplos poderes ao Exército e colocou na reserva o marechal Hussein Tantawi, ministro da Defesa há 20 anos. De acordo com seu porta-voz, Mursi também nomeou um vice-presidente, o juiz Mahmud Mekki, que será apenas a segunda pessoa a ocupar este posto em mais de 30 anos. “O presidente decidiu anular a declaração constitucional adotada no dia 17 de junho” pelo Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que governava na época o país e na qual os militares assumiam principalmente o poder legislativo, anunciou o porta-voz do presidente, Yasser Ali, em uma declaração transmitida pela televisão. A Irmandade Muçulmana, grupo ao qual pertence o presidente Mursi, havia denunciado essa “Declaração Constitucional Complementar” como “um golpe de Estado institucional” do CSFA, liderado pelo marechal Tantawi, tendo como objetivo limitar as prerrogativas presidenciais. A “declaração” havia sido adotada no dia do fim do segundo turno da eleição presidencial, provocando uma crise política entre o Exército e os islamitas. Com o poder legislativo, os generais mantinham o direito de veto sobre qualquer nova lei ou medida orçamentária e se reservavam também o direito de velar pela redação da futura Constituição, depois de o texto fundamental em vigor durante o governo Mubarak ter sido suspenso. Mursi também decidiu neste domingo colocar na reserva o marechal Tantawi e substitui-lo no Ministério da Defesa pelo general Abdel Fattah al-Sissi, chefe dos serviços de inteligência militares. Ainda não está claro se o marechal, ministro da Defesa de Hosni Mubarak durante vinte anos, continuará sendo o chefe do CSFA. O chefe do Estado-Maior do Exército e nº 2 do CSFA, Sami Anan, também foi colocado na reserva e substituído pelo general Sedki Sobhi. Tantawi e Anan foram nomeados conselheiros do presidente Mursi, segundo a imprensa oficial. O novo vice-presidente, Mahmud Mekki, é um magistrado que participou da revolta dos juízes em 2005 contra a fraude eleitoral durante a eleição presidencial que terminou com a vitória esmagadora de Hosni Mubarak, que seria derrubado por uma revolta popular quase de seis anos depois. Mekki é apenas o segundo vice-presidente egípcio em 30 anos. O ex-presidente Hosni Mubarak nunca havia nomeado um vice-presidente até a revolta popular que o derrubou em fevereiro de 2011, durante a qual ele nomeou o chefe dos serviços de inteligência Omar Suleiman para o posto. Mursi, que tomou posse formalmente no dia 30 de junho, é o primeiro civil a assumir a magistratura suprema, em um país onde todos os presidentes vieram do Exército depois da queda da Monarquia em 1952. Depois de chegar ao poder, ele alternou concessões e conflitos com o Exército para tentar se impor. Tantawi, de 76 anos, presidiu o Egito por mais de um ano após a revolta popular que terminou com décadas da presidência de Hosni Mubarak. Como oficial do exército, ele participou dos conflitos de 1956 (Canal de Suez), de 1967 (guerra dos Seis Dias ou guerra de junho de 1967 para os árabes) e de 1973 (guerra do Yom Kippur para Israel ou guerra de outubro). iba/dm/mvv

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